quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Visões para e da escola!

A visão do observador no panóptico de Bentham (esses dias eu descobri que Bentham foi mumificado nos moldes egípcios, se bem que duvido um pouco dessa informação...)



A visão do diretor na estrutura das escolas antigas.



Escola “de antigamente”...



Uma escola “moderna”... (onde fica o diretor?)



Visão de uma escola... com nome estranho... (onde fica o diretor? é esse o(a) da foto?)



A escola “atual” na visão do aluno “atual”. (2009)(onde fica o diretor?)

Como se tornar o pior aluno da escola.

“A escola exige que todos os seus alunos se comportem como os grande gênios da humanidade. Ela quer que você estude o tempo todo como Isaac Newton, que forneça respostas corretas como Albert Einstein, e que fique quietinho em sua cadeira como Stephen Hawking.” Danilo Gentile “Como se tornar o pior aluno da escola. Manual completo, ilustrado, revisado e não recomendado para estudantes”, (2009, p. 8).

“A escola tem algo de errado. O professor (mais velho e estudado) faz as perguntas, e os alunos (mais novos e sem conhecimento) têm de dar as respostas. Pela lógica, deveria ser justamente o contrário, não?” (p.26).

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Indisciplina escolar durante a guerra fria.

Quando estava fazendo meu mestrado, meu orientador (Prof. Dr. Joe Garcia) me mandou passar no mínimo 200hs na internet pesquisando sobre indisciplina escolar. Quando cheguei lá pela hora 199 sem mais idéias de onde procurar, entrei no site da C.I.A. (sim a agência americana) e pesquisei sobre indisciplina escolar... e SIM eles tinham um arquivo lá que falava sobre isso. E se você pesquisar o termo disciplina vai encontrar muito material, ou só indisciplina também aparece bastante coisa.
A seguir apresento um resumo com algumas partes interessantes de um arquivo chamado “Moral e disciplina, problemas nas forças armadas soviéticas”, um arquivo original de abril de 1977, mas que só pode vir a público em 1999 devido sua classificação “Top Secret”. (Uma curiosidade desse texto são as partes censuradas, onde apareceriam os nomes dos espiões infiltrados no politiburo).

Você deve se perguntar, o que a indisciplina nas forças armadas tem de relação com a indisciplina escolar? Respondendo: é maior do que eu pensava...

Ustinov, (Marshal D. F. não sei qual é essa patente militar) em 1976, afirmava o seguinte: “Não uma pequena parte da juventude é indisciplinada nos bancos escolares, com isso não é fácil ela se adaptar ao exército soviético”.

Principais problemas disciplinares e morais do exército soviético.
 Desafeição política. (proveniente de civis intelectuais que contaminavam as forças armadas.)
 Hostilidade étnica. (as forças armadas soviéticas contavam com mais de 90 etnias em seu quadro militar. As minorias étnicas eram separadas.)
 Insubordinação.
 Alcoolismo.
 Deserção.
 Suicídios.
 Corrupção, mercado negro, furtos e abuso de autoridades.

Segundo a C.I.A. os oficiais soviéticos estavam preocupados, mas indiferentes quanto a aplicações práticas e punitivas que visassem uma solução efetiva do problema.

Um chefe militar soviético chamava a indisciplina dos jovens nas forças armadas de “atitude niilista”.

O problema aparentemente seria ideologicamente difícil de ser solucionado, pois segundo um livro distribuído nas escolas infantis soviéticas somente os melhores estudantes eram escolhidos para fazer parte do Exército Soviético. A C.I.A. questiona, porém, se essa própria afirmação não se torna contrária a idéia de igualdade na sociedade soviética (nos termos do artigo: igualdades entre as etnias da URSS).

Se você quiser saber mais de uma pesquisada:
https://www.cia.gov/library/index.html

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Porque vilões são doutores?

A produção cultural da indisciplina escolar, um início.

Alguns de vocês já devem ter notado que geralmente os vilões possuem uma inteligência superior. Deixando o mais claro possível: os vilões normalmente são doutores; alguns até ex-professores.

Vamos por partes; de onde vem esse “vilão” a qual me refiro? A idéia de vilão pode ter diversas abordagens, porém, aqui me refiro à vinculação daquilo que pode ser identificado como um “vilão+doutor” que é comumente chamado de “cientista maluco”; em outros termos, alguém com formação de nível superior (ou acima) que se comporta de maneira que busca o malefício de outros é chamado de “cientista maluco” (ou cientista louco). Normalmente o “cientista louco” busca a “dominação mundial”, dinheiro, ou a destruição de algo ou alguém.

Na idéia de “cientista maluco” existe uma separação que ocorre em torno de 1945. Antes de 45, os “cientistas loucos” se encontravam principalmente nas páginas dos livros, normalmente na pele de médicos, por exemplo: Dr. Frankenstein, Dr. Jekyll e Mr. Hyde, Dr. Moreau (da Ilha do Dr. Moreau), Dr. Griffin (de O Homem Invisível), Dr. Caligari (do filme de 1919 A cabine do Dr. Caligari), Dr. C. A. Rotwang (do filme de 1927 Metropolis), Dr. Fausto, entre inúmeros outros. Normalmente esses cientistas loucos desenvolviam algo que ia contra a “natureza humana” pondo em risco certos valores morais ou éticos importantes à época.

Após a Segunda Grande Guerra com a invenção da bomba atômica, e com a identificação das loucuras dos médicos nazistas, esses “cientistas malucos” ficaram mais reais, passou a haver a possibilidade de que ao menos um deles pudesse existir de verdade (ex. Dr. Menguele). Com o desenvolvimento do cinema, alguns vilões ganharam fama, como por exemplo: Dr. Julius No (do Satânico Dr. No, inimigo de James Bond), Dr. Eldon Tyrell (do filme Blade Runner), Dr. Durand Durand (do filme Barbarela), o próprio Dr. Frankenstein, Dr. Hannibal Lecter, Dr. Totenkopf (do filme Capitão Sky e o mundo do amanhã).

Nesse meio tempo os maiores divulgadores e “inventores” de cientistas malucos foram as Histórias em Quadrinhos (H.Q.), com um número quase inimaginável desses, por exemplo: Dr. Destino, Dr. Sinistro, Dr. Eduard Nigma, Lex Lutor, Dr. Silvana (inimigo do Capitão Marvel), Norman Osborn (Duende Verde inimigo do Homem Aranha), Dr. Curt Connors (o Lagarto inimigo do Homem Aranha), Otto Octavius (Dr. Octupus inimigo do Homem Aranha), Magneto, Hugo Strange, Dr. Jonathan Crane (Espantalho), Pamela Isley (Hera Venenosa), Victor Fries (Mr. Freeze), Kirk Langstrom, Caveira Vermelha, Dr. Mindbender (G.I. Joe), Dr. August Hopper; entre tantos e tantos outros...

É esse ponto que me interessa, por dois principais motivos, pelo público alvo e pela autoria. O principal público alvo das H.Q.s são (ou ao menos eram) as crianças que as lêem (ou liam) até em sala durante as aulas. Assim a imagem e principalmente a idéia de “cientista louco” atinge diretamente as crianças.

A imagem que atinge as crianças é mais ou menos essa, quem estuda muito tem chance de se tornar doutor, se, se deseja algo que não deve ou é contra a lei você pode vir a ser um vilão;
e se há o azar de se enlouquecer no meio do caminho, você pode vir a tornar-se um cientista louco! E você nem precisa enlouquecer, a simples soma de intenção desviada com inteligência superior é igual a cientista maluco.
Como assíduo leitor dessas histórias, devo afirmar que essa idéia nunca passou pela minha cabeça quando era criança. E a pergunta se torna a seguinte, isso foi intencional? (e uma pergunta para o futuro, isso ajudou na fetichisação da idéia de ser um vilão?)


São três as hipóteses vinculadas a uma resposta para a pergunta da intencionalidade de transmitir a idéia que vincula vilania a estudos.

Infelizmente não consigo lembrar onde eu li isso, portanto, se você achar essa afirmação em outro lugar, por favor, me avise para que eu possa dar o crédito à pessoa certa. A primeira hipótese esta ligada ao psiquiatra americano Fredric Wertham que publicou o livro “Seduction of the Innocent” de 1954 (um livro que tive o prazer de ler, bem peculiar devo dizer), nesse livro Wertham afirma que as H.Q.’s são as responsáveis pela delinquência juvenil (no Brasil, não houve uma tradução integral, algumas partes foram traduzidas em forma de artigos de jornal na mesma década). A hipótese é de que os autores de H.Q.’s “xateados” com tal psiquiatra personificaram os vilões como doutores que fazem o “mau”, uma espécie de vingança.

A segunda hipótese simplista posso dizer, é a de que os vilões precisam ser inteligentes para por em prática seus planos de dominação mundial. Os heróis precisam, basicamente, de força e amigos.

A outra hipótese (minha acredito, salvo aviso de leitores) considera que os autores das H.Q.’s, normalmente jovens que não concluíram o ensino superior (ainda bem!!! devo ressaltar), que possuem uma criatividade elevada, uma imaginação muito grande, devem ter sido alvo constantes de sanções disciplinares dos professores de sua época escolar. Assim os que lhe fizeram “mal” se transformam em vilões durante suas imaginações em sala de aula.

Essa última afirmação considera que os autores das H.Q.’s eram tidos como indisciplinados por seus professores justamente por não estarem “prestando atenção” na aula, no “mundo da lua”, o que pode ser confirmado pela história de desqualificação literária e artística das H.Q.’s pelos professores e sociedade (no Brasil H.Q.’s foram queimadas em praças públicas). Assim os alunos indisciplinados ou “artistas” não teriam um futuro promissor caso estivessem dedicados a essa “cultura popular” desviada.

Esse vínculo entre indisciplina escolar e cultura popular estaria, de maneira muito tênue ainda, demonstrando que a indisciplina escolar também teria uma parcela externa a escola, indisciplinados também seriam aqueles alunos que preferissem uma cultura popular em detrimento de uma cultura acadêmica.

Por favor, me contradigam!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Cinco Mitos sobre bullying

Cinco Mitos sobre bullying

Retirado do “The Washington Post” 30 de dezembro de 2010 disponível em: http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2010/12/30/AR2010123001751.html

Tradução minha (e do Google). Os links presentes no texto original foram colocados ao lado quando referenciados.

Cinco Mitos sobre bullying.Por Susan M. Swearer.

De pátios dos locais de trabalho e agora para o ciberespaço, bem, parece que os bullies estão em toda parte. Novos esforços para detê-los e ajudar as vítimas – como a campanha "It Gets Better" - estão ganhando a atenção e popularidade, mas são as melhores formas de proteger as crianças e outras pessoas das piores formas de bullying? Para que eles tenham uma chance de lutar, primeiro vamos dispensar algumas falácias de alguns populares que foram colhidas nos Estados Unidos


1. A maioria do bullying agora acontece on-line.

O cyber-bullying tem recebido muita atenção desde o suicídio em 2006 de, Megan Meier, um aluno da oitava-série que foi maltratado no MySpace. O suicídio do calouro Rutgers Tyler Clementi - que pulou da ponte George Washington, perto de Manhattan, em setembro, depois que seu companheiro de quarto divulgou online um vídeo de um encontro sexual entre Clementi e outro aluno masculino – esse tipo de manchete chama a atenção.

Esses exemplos são trágicos, mas este perfil (de bullying) não deve desviar a atenção do mais tradicional – e o mais importante - as formas de intimidação (bullying). Seja lutando contra os rumores sobre sua orientação sexual, suportando a crítica de suas roupas ou se empurrado na hora do recreio, as crianças são intimidadas “offline” (fora da internet) o tempo todo. Embora seja difícil identificar um padrão (stereotype) para o comportamento de bullying que esta presente em todas as escolas de cada cidade nos Estados Unidos, os especialistas concordam que pelo menos 25 por cento dos estudantes de todo o país são vítimas de bullying na forma tradicional: bater, empurrar, chutar, fofoca, intimidação ou sendo excluídos de grupos sociais.

Em uma recente pesquisa com mais de 40.000 alunos do ensino médio EUA realizada pelo Josephson Institute, com foco sobre ética, 47 por cento dos alunos disseram que foram intimidados no ano passado. Mas, de acordo com o livro de 2007 “Cyber Bullying”, apenas 10 por cento das vítimas são vitimas de cyber-bullying. Entretanto, um estudo de alunos do quinto ano, da oitava e da 11 ª no Colorado, no mesmo ano, descobriu que eles eram mais propensos a serem intimidados verbalmente ou fisicamente do que online.

Claro que, com maior acesso a computadores, celulares e internet sem fio - para não falar da explosão da popularidade dos sites de mídia social – o cyber-bullying estará em ascensão nos próximos anos. Mas, por agora, as formas tradicionais de bullying são mais comuns.

2. Bullies são bullies e vitimas são vitimas.

Na verdade, é comum que as crianças que são “bullied” (vitima de bullying) em casa por um irmão mais velho ou abusado por um pai venha se tornar o próprio bullies na escola. A violência doméstica e bullying alimenta um ao outro. Pesquisadores descobriram que bullies no Ensino Fundamental são mais propensos que os não-bullies de ter testemunhado violência doméstica durante os anos pré-escolares. De acordo com um estudo de 2007 de bullying no Japão, África do Sul e os Estados Unidos, 72 por cento das crianças que foram abusadas fisicamente por seus pais tornaram-se um tirano (bully), ou vítima de bully, ou ambos.

Mas tomar para si as frustrações que as crianças tiveram na escola, não ajuda os provocadores (bullies). Pesquisadores descobriram que os bullies que são vitimas de bully têm maiores taxas de depressão, ansiedade, raiva e baixa auto-estima que as crianças que são apenas vitimas de bullying, ou as que não estão envolvidas em bullying.

3. Bullying vai terminar quando você crescer.

Bullying é negativo, quer dizer, um comportamento repetitivo, que ocorre em um relacionamento caracterizado por um desequilíbrio de poder. Isso pode acontecer em uma escola - mas também pode acontecer em um escritório. De acordo com o Journal of Management Studies, quase 50 por cento dos trabalhadores norte-americanos sofreram ou testemunharam assédio moral no local de trabalho, mesmo que não o tenha reconhecido como tal.

Nesse estudo, mais de 400 trabalhadores nos Estados Unidos concluíram uma pesquisa online sobre comportamentos negativos no trabalho. Eles foram informados que o assédio moral ocorre quando um indivíduo experimenta, "pelo menos, dois atos negativos, semanais ou mais vezes, por seis ou mais meses, em situações em que as vitimas têm dificuldade para se defender e impedir o abuso". Os trabalhadores relataram agressões verbais (comentários ameaçadores, intimidadores, críticas e humilhações), abuso físico (jogando um peso de papel, empurrões, tapas) e abuso sexual (avanços sexuais não desejados e abuso sexual).

O colunista Dan Savage da camapanha “Isso Vai Melhorar” (It Gets Better que você pode acessar em: http://www.itgetsbetter.org/ ) afirma que é um esforço digno convencer as vítimas de bullying adolescentes que suas vidas vão melhorar. No entanto, programas anti-bullying e a legislação atual com foco nas escolas deve - e provavelmente, em algum momento – vai se estender para os adultos em seu ambiente de trabalho. De acordo com os patrocinadores do “Healthy Workplace Bill”, 80 por cento do assédio moral é legal - e 72 por cento dos agressores perseguem seus alvos.

4. Bullying é uma das principais causas de suicídio.

De acordo com o “Centers for Disease Control and Prevention”, o suicídio é a terceira principal causa de morte entre pessoas de 15 a 24 anos, atrás de acidentes de trânsito e homicídios. Enquanto algumas pessoas que são vítimas de bullying estão em risco elevado de automutilação, é muito simplista culpar as mortes das vítimas exclusivamente sobre o assédio moral.

De acordo com o CDC, os fatores de risco para o suicídio incluem uma história familiar de suicídio, depressão ou outras doenças mentais, abuso de álcool ou drogas, uma perda pessoal, o fácil acesso a armas de fogo e medicamentos, exposição a comportamento suicida de outrem e de isolamento. Bullying pode ser um gatilho para o suicídio, mas outros fatores estão envolvidos. Interpretando o suicídio de um adolescente como uma reação à intimidação ignora os problemas complexos emocionais que os jovens americanos enfrentam. Para entender a complexidade do comportamento suicida, temos de olhar para além de um único fator.

5. Podemos acabar com o bullying.

Podemos fazer isso? O debate continua.

Em 2008, um estudo dos programas de prevenção de bullying escolar, ao longo de quase 25 anos descobriu que eles mudaram atitudes e percepções sobre o assédio moral, mas não o comportamento bullying. Esta não é uma grande notícia. As vítimas de bullying não querem mais saber sobre assédio moral - eles querem que isso pare.

No entanto, quando as escolas coletam dados sobre bullying e intervém quando observado, podem mudar a cultura que aceita este comportamento. Programas como o Steps to Respect (http://www.cfchildren.org/),
Second Step (http://www.cfchildren.org/),
Bully-Proofing Your School (http://www.cfchildren.org/),
and the Olweus Bullying Prevention Program (http://www.clemson.edu/olweus/),
mostraram-se especialmente promissores.

Um estudo de 2009, no Journal of Educational Psychology (cujo download é gratuito)descobriu que a etapa de ensino de Respeito - "ensina alunos do ensino fundamental a reconhecer, recusar e relatar o assédio moral, como ser assertivo, e construir amizades" – reduziu o assédio moral em 31 por cento em algumas escolas em Estado de Washington. Formação dos pais, o aumento da fiscalização no playground, métodos disciplinares eficazes, comunicação entre casa e escola, gestão de sala de aula e a utilização de vídeos de treinamento também têm sido associadas com a redução do bullying.

Nenhum programa pode acabar com o bullying em cada comunidade, e nenhum programa eliminou 100 por cento os comportamentos de bullying. No entanto, quando a percepção do assédio moral se torna parte integrante da cultura escolar como reverência para o atletismo ou clube de alegria, nós teremos uma chance de finalmente parar.

Susan M. Swearer, professor associado de psicologia escolar na Universidade de Nebraska, em Lincoln, é o co-autor de "Bullying Prevenção e Intervenção: estratégias realistas para as Escolas" e co-diretor da Rede de Pesquisa Bullying.