sexta-feira, 25 de junho de 2010

Indisciplina...

Aos professores:

Ninguém aprende sem disciplina,
mas aprender autenticamente é coisa
que só combina com indisciplina,
se for realmente algo criativo e crítico.
(Pedro Demo 1999)




Entenderam...?

Vontaremos a esse texto de P. Demo mais a frente...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

DISCURSO SOBRE INDISCIPLINA ESCOLAR

DISCURSO SOBRE INDISCIPLINA ESCOLAR

Este artigo apresenta uma investigação referente ao discurso pedagógico sobre indisciplina escolar. O trabalho de campo envolveu entrevistas não-estruturadas, aplicadas a um grupo de vinte e quatro professoras de 5ª série. O método para analisar as entrevistas foi baseado em uma abordagem qualitativa fundamentada em Laurence Bardin. Foram identificadas cinco categorias de análise de conteúdo, que representam a indisciplina escolar como: resistência imatura, desqualificação do trabalho docente, infantilidade social, reflexo de convivência com informação sem função, e reflexo de uma família desestruturada. Identificamos que o modo de lidar com esta situação não vem da formação acadêmica e sim de supostos valores familiares.
Palavras-chave: Educação, Indisciplina, Análise de Conteúdo.




Introdução
O presente artigo apresenta cinco categorias de indisciplina escolar, identificadas em entrevistas com professoras de quinta série de uma instituição pública e outra privada da cidade de Curitiba. Do total de vinte e uma professoras, foram selecionadas quatro , de acordo com a amostragem intencional por caso extremo ou desviante conforme definido por Patton (1990, p. 169, 170). O método de pesquisa é baseado em Bardin (2008) na forma de análise semântica. O documento – entrevistas com os professores de quinta série das escolas pública e particular da cidade de Curitiba - reflete algumas idéias principais, imperceptíveis mediante uma leitura horizontal do documento, mas que podem começar a ser observadas a partir de uma leitura flutuante.
Apesar da diversidade que as entrevistas apresentam, podem-se identificar certas similaridades em seu conteúdo. A elaboração dos índices seguiu a forma de que cada assunto deve ser abordado em cada uma das quatro entrevistas. Depois de seguidas leituras, foi possível identificar e agrupar certos índices, que irão apontar as categorias de análise do discurso pedagógico sobre indisciplina escolar.
Nosso entendimento do que é discurso, está baseado em Cambridge Advanced Learners Dictionary (2008, p. 283), baseado no A Modern Dictionary of Sociology (THEODORSON, 1979, p. 449) segundo essas fontes, discurso pode ser entendido como:

A partilha de símbolos de comunicação e concepções da realidade que são peculiares a um grupo ou sociedade. Palavras, frases e idéias têm significado especial dentro de um grupo que faça interação mais eficaz e dar aos membros um sentimento de identidade e pertença. Estranhos ou novos membros devem aprender a língua e os pressupostos da cultura ou subcultura antes que eles possam compreender as sutilezas da comunicação ou sinta-se seguro com os membros.

Desse modo, o discurso sobre indisciplina escolar circularia no grupo de professores através do significado, e da idéia, que se tem dela (explicitados ou não). Assim, o professor só poderia possuir, e cooptar, por “um” discurso de maneira progressiva e em contato direto com seu grupo.
Assim, a intersecção entre o método de pesquisa e o discurso sobre indisciplina escolar explicitaria o conteúdo encoberto daquilo que os professores chamam de indisciplina escolar.
Entrevistas
A professora A considera indisciplina como uma forma de “resistência a mim”, “um bloqueio” na interação professor-aluno. A professora B entende a indisciplina como “bagunça”, aquilo que “atrapalha a aula”, “conversas incessantes” e “resistência a educação”. A professora J compreende a indisciplina como uma “incomodação”. A professora K considera a indisciplina como “euforia” ou “extravasamento”, uma “perda de controle” da parte dos alunos. Feita a análise semântica desses conteúdos, pode-se elaborar a categoria, “resistência imatura”, presente no discurso das professoras sobre indisciplina escolar.
A professora A também considera a indisciplina como uma forma de “impedimento do trabalho docente”, “infantil”, eles (os alunos) “não estão trabalhando”. Para a professora B, a indisciplina é como se “eu não tivesse ali”. A professora J traz a indisciplina como aquilo que “foge a hora da atividade estipulada” e “atrapalha” na obtenção do objetivo. A professora K entende a indisciplina como “desobediência” a ela. Na análise semântica desses conteúdos, no discurso das professoras a indisciplina escolar seria uma “desqualificação do trabalho docente”.
A professora A também afirma que os alunos apresentam “desculpas tolas” para sua indisciplina. A professora B considera a indisciplina como “falta de vergonha” do aluno; a mesma professora afirma que “e recreio é recreação... recreação é parar de fazer... brincar, se divertir, recrear, eles não podem correr no pátio, brincar...”. A professora J considera a indisciplina como algo “não pertinente” a aula. Para a professora K a indisciplina é uma forma de os alunos explicitarem que “não gostam” dela, e que os alunos são indisciplinados por não preverem o “futuro” (na forma das avaliações bimestrais e carreira profissional). Na análise semântica desses conteúdos, pode-se elaborar a categoria, “infantilidade social”, presente no discurso das professoras sobre indisciplina escolar.
A professora A entende a indisciplina como uma expressão de que o aluno tem ”maior conhecimento da sociedade lá fora”, também como reflexo de “mudanças sociais rápidas” de “mais informações” e de “maior conhecimento de seus direitos”. A professora B considera a indisciplina como uma indisposição da parte dos alunos em “aprofundar conhecimento”. A professora J compreende a indisciplina como uma forma de dificuldade da parte dela em entender a “realidade” do aluno. A professora K, também considera a indisciplina como uma forma de “rebelião contra a ordem social”, e uma “diversidade social não reconhecida pela escola”. Na análise semântica desses conteúdos, pode-se identificar a categoria que caracteriza a indisciplina escolar como sendo “reflexo de convivência com informação sem função” que está presente no discurso das professoras sobre indisciplina escolar.
A professora A também considera a indisciplina como um reflexo da ”falta de respeito com os pais”. A professora B se refere a indisciplina com o seguinte ditado, “o fruto não cai longe do pé”, sendo um efeito da “falta de surra”. A professora J também considera a indisciplina na esteira do ”pai na prisão”, “pai e mãe não valem muito”, e que deveria “haver cursos para ser pais” e “caso você tivesse filho sem curso... multa... cadeia”. A professora K também compreende a indisciplina como reflexo de “pais condescendentes”. Na análise semântica desses conteúdos apresenta a categoria, “reflexo de uma família desestruturada”, presente no discurso das professoras sobre indisciplina escolar.
Percebemos que as categorias resultam da classificação analógica e progressiva dos elementos obtidos nas entrevistas após estabelecermos os índices e a codificação das entrevistas. As categorias produzidas durante o processo de análise de conteúdo se inter-relacionam ao longo do documento. A categoria “reflexo de uma família desestruturada” está interligada a “infantilidade social” e ao “reflexo de convivência com informação sem função” que estão atreladas a “desqualificação do trabalho docente” e a “resistência imatura” do aluno indisciplinado.
Assim, mediante a aplicação do método da análise de conteúdo nas entrevistas com professoras de quinta série de escola pública e particular da cidade de Curitiba, produzimos cinco categorias que descrevem a indisciplina como: a) resistência imatura; b) desqualificação do trabalho docente; c) infantilidade social; d) reflexo de convivência com informação sem função; e) reflexo de uma família desestruturada.

Tratamento dos Dados, Inferência e Interpretação
A convivência maior com uma informação sem função presente no discurso das professoras entrevistadas refere-se a atitude do aluno na sua relação com o conhecimento, em função de sua exposição uma grande quantidade de informação sem função, se apresentando como indisciplina escolar. Televisão, revistas, mas principalmente a internet, trouxeram uma grande variabilidade de informação, que segundo as professoras, não apresentam uma profundidade, função e relação adequada a formação acadêmica do aluno, além de desviarem a atenção que o aluno deveria dar a escola. Nesta relação com o conhecimento, a quantidade e qualidade da informação desvia a atenção e o objetivo do aluno, que teoricamente, se reflete como predisposição para indisciplina.
As professoras também se referem as redes pessoais de comunicação (MSN e as mensagens via celular), e as comunidades virtuais (Orkut), como um foco de informação visando a vida pessoal da criança e de seus colegas, contudo sem conteúdo formativo, mesmo que internamente esses meios sejam recheados de conteúdos referentes a vida escolar. Tais meios de se obter informação não são utilizados pelos alunos com fins educacionais, e quando o são, funcionam como recurso de facilitar a tarefa de casa por meio do “CtrlC CtrlV, copia cola”. Assim, a informação que o aluno acessa não possuiria profundidade e função formativa segundo o discurso das professoras, o que estaria se refletindo na relação com o conhecimento escolar, na aprendizagem, na educação, nas relações de sala de aula, surgindo indisciplina.
Ao se referirem a função da informação, as professoras entrevistadas também remetem a idéia de que nos dias de hoje as crianças e alunos possuem mais direitos do que deveres, e resguardados por estes direitos podem incidir em indisciplina escolar com maior frequência e intensidade, pois a idéia corrente é de que eles simplesmente podem fazer. Diante disso, no discurso das professoras os alunos e crianças só deveriam ter acesso a seus direitos quando obedecerem a todos os seus deveres; os alunos só terão o direito de brincar após o dever de obedecer as regras impostas.
Porém, podemos inferir, a partir das afirmações das professoras, que essa grande quantidade de informação a qual o aluno tem acesso acaba por criar nele uma confiança exacerbada. No discurso das professoras, os alunos acreditariam possuir um conhecimento suficiente para tirar a nota necessária e passar de ano, e saberiam o que a professora pode ou não fazer em relação a suas atitudes em sala de aula, isso daria a eles um relaxamento da atitude de aluno que deveriam apresentar.
Essa nova natureza da relação com a informação e do valor simbólico do conhecimento, possui implicação direta no respeito ao adulto que a criança deve ter. Segundo Postman (2008, p, 104), “restam-nos, então, crianças que confiam, não na autoridade do adulto, mas em notícias vindas de parte nenhuma. Restam-nos crianças que recebem respostas a perguntas que nunca fizeram”. Ainda segundo aquele autor, “a informação se tornou incontrolável – pelo qual o lar e a escola perderam sua posição de comando como reguladores do desenvolvimento da criança” (2008, p. 104). Podemos considerar que esta categoria de indisciplina escolar identificada no discurso das professoras entrevistadas, teria certa parcela de origem em uma relação de indisposição da criança com saberes disciplinares descrito por Tardif (2002).
Assim, indisciplina escolar seria o efeito do desencontro do saber disciplinar do professor e a informação a qual o aluno deseja e tem acesso, não só em conteúdo, mas também em sua forma e relação. Podemos, então, afirmar que a indisciplina escolar, que no discurso das professoras entrevistadas possui estreita relação como um reflexo de convivência com informação sem função, ocorre no momento pedagógico, afastando o professor da “satisfação magistral” (MEIRIEU, 2002, p. 59) de saber o que é importante para o aluno.
A indisciplina escolar, concebida como reflexo de convivência com informação sem função, também acaba por confirmar a idéia de que o aluno tenta se afirmar como sujeito com certa parcela de razão (aqui entendida como algo derivado da posse de informação) o que não é reconhecido pelo professor, que não considera essa informação como sendo conhecimento escolar válido.
Meirieu (2002, p. 138) afirma existir certa contradição no discurso pedagógico entre a “educação como reconhecimento de um sujeito já existente e a educação como formação de um sujeito que só terá esse estatuto no final do processo educativo”. Essa contradição se relaciona principalmente a duas categorias encontradas no discurso das professoras entrevistadas, reflexo de convivência com informação sem função e resistência imatura.
Três exemplos dessa categoria são filmes da TV, histórias em quadrinhos e Orkut. Quando a professora se utilizada da figura ou do exemplo de um filme, quando se utiliza de uma HQ, ou deixa recados no Orkut de seu aluno, essa informação possui uma função clara e definida, com um objetivo pertinente a aula e a formação; porém o modo como o aluno utiliza desses mesmos meios, e se relaciona com esse conhecimento, torna-se fonte de uma convivência maior com uma informação sem função, que pode gerar uma indisposição na forma de indisciplina na escola.
Quanto a resistência imatura, esta também apresenta contradição no discurso pedagógico conforme aquele descrito por Meirieu (2002, p. 138), há um entendimento subjacente no discurso da professoras entrevistadas, de que a indisciplina escolar é algo intencional da parte do aluno, o que justifica grande parte das considerações delas, assim a resistência é intencional, mas realizada de maneira imatura. Contudo, as professoras entrevistadas não afirmam que os alunos disciplinados são mais maduros que os indisciplinados; os alunos disciplinados apresentam dificuldades que também são deles e não dos professores. Dessa maneira, o que ficou latente no discurso das professoras entrevistadas foi a imagem de que o que atrapalha a educação seria o fato de existirem alunos. Em outros termos, nesse ponto, podemos nos questionar se o desejável seriam alunos “maduros e educados”.
Por resistência imatura, entende-se que os alunos indisciplinados resistem de maneira inoportuna as professoras e a educação. O aluno maduro deveria entender a importância da escola, da sua formação, de respeitar a professora, e não brincar. Desta maneira, bagunça, euforia, perturbação da ordem, entre outros, seriam uma forma dos alunos resistirem a educação e as professoras. No discurso das professoras entrevistadas, a resistência imatura pode ser entendida como uma causa mais abrangente do que é indisciplina escolar.
Segundo as professoras entrevistadas, os alunos possuem capacidade cognitiva para entender suas solicitações disciplinares. Contudo, suas atitudes indisciplinadas em sala de aula são tidas como imaturidade. Podemos inferir a partir das entrevistas, que, segundo as professoras, o aluno previamente deve saber, compreender e aceitar como deve se portar em sala de aula e perante a educação. Dessa maneira, tal resistência indicaria que a indisciplina escolar seria algo intencional da parte do aluno.
A resistência imatura também refletiria o não reconhecimento, por parte dos alunos, daquilo que podemos entender como uma “instigação disciplinar”, tal como, um olhar da professora, um “oooolhaaaa”, ou um simples “shisss”, que na idéia das professoras deveria servir de sinal para quem quer que seja parar de fazer o que quer que seja. Assim, quando o aluno não para ele estaria resistindo a professora e a educação.
Essa resistência imatura também se relaciona, de maneira clara, a outra categoria, a desqualificação do trabalho docente, pois as professoras entrevistadas apresentam, de maneira arraigada, a afirmação de que a docência é um trabalho. As professoras entrevistadas não se referem a sua atividade como educar, formar ou transmitir, consideram o magistério especificamente um trabalho. Assim, a indisciplina, como resistência imatura, em algumas ocasiões, seria indicação de que o aluno estaria desqualificando o trabalho docente. Vale ressaltar que a categoria desqualificação do trabalho docente foi a mais recorrente nas entrevistas. Ali encontramos afirmações categóricas de que os professores devem a todo custo trabalhar, mas a indisciplina escolar impediria que isso seja feito.
Assim, conversas paralelas, gritos, celular entre outros, impedem a realização do trabalho docente. Nas afirmações das professoras entrevistadas há uma forte crença de que a indisciplina seria tempo perdido de trabalho e de estudo. Aqui podemos nos questionar se quando os professores realizam seu trabalho, isso faz com que o aluno aprenda?! E, se não aprendeu, seria indisciplina?! Haveria assim uma resignificação daquilo que as conversas paralelas, e outras expressões de indisciplina, representam. Mas, caso a professora as perceba, são consideras uma desqualificação do trabalho docente, caso não as percebam enquadram-se em outra categoria.
A idéia de indisciplina como desqualificação do trabalho docente foi a categoria mais recorrente no discurso das professoras entrevistadas. Aqui, podemos nos perguntar se o que atrapalha as professoras na realização de seu trabalho seria o aluno do outro lado. Como afirmam as professoras entrevistadas, o trabalho do aluno é estudar, e o aluno indisciplinado é aquele que não trabalha, desqualificando o trabalho das professoras.
No discurso das professoras fica aparente o entendimento de que ser professor é um trabalho com requisitos claros a sua execução, exemplificados como recato no vestir (sem decote), chegar na hora, preparar a aula e não faltar, entre outros, mas não é dever do professor tolerar indisciplina escolar. Isto porque que o professor já é tido (e autointitulado) como capacitado a formar outros. Ele já foi “iluminado”, obtendo o direito de fazer o possível para alcançar o seu fim.
Assim, o professor, chancelado socialmente, possuiria o direito de afirmar que qualquer atividade não autorizada poderia ser entendida como indisciplina escolar. Quando o aluno não se emoldura no entendimento que o professor tem do que é ser aluno, que de acordo com as professoras também se configura como um sujeito que deve trabalhar (estudar), ele está desqualificando o trabalho docente.
Essa afirmação comprova a posição de Meirieu, quando escreve que nas duas últimas décadas “debruçar-se” (2002, p. 99) sobre a criança seria uma fraqueza imperdoável, uma negação e uma recusa a educação. Assim, qualquer instigação disciplinar é entendida como uma desnecessária intervenção, e qualquer coisa que não seja do dever de aluno seria uma desqualificação do trabalho docente.
Dessa maneira, a indisciplina não seria responsabilidade do professor ou do modo como exerce seu trabalho. Entretanto, o professor poderia certificar quem ou o que pode ser categorizado discursivamente como sendo indisciplina, qual sua causa. E isso leva a outra categoria identificada no discurso das professoras, indisciplina como reflexo de uma família desestruturada.
Essa categoria, presente no discurso das professoras entrevistadas, refere-se a imagem que elas possuem das famílias de seus alunos, contraposta a imagem de suas próprias famílias. Na imagem de família dessas professoras (focalizadas principalmente na figura materna) se destacaria uma disciplina que primaria pelos deveres anteriores aos direitos. A família que assim funciona, seria então, uma família minimamente “estruturada”. No entendimento das professoras entrevistadas, a família dos alunos indisciplinados se encontra “desestruturada” por não educar seus filhos a exercer deveres, tal como “obedecer” aos professores. Contudo, devido ao foco desta pesquisa, não podemos afirmar que esse seja o único motivo da “desestruturação” familiar, ou mesmo corroborar que a família se encontra “desestruturada”.
As professoras entrevistadas declararam que durante a sua formação não leram nada referente a indisciplina escolar ; e a origem de seus princípios referente a disciplina escolar estaria no modelo de como suas mães as educaram em casa. As mesmas professoras afirmam que os valores pessoais e sociais que receberam na infância, de suas mães e pais, seriam suas referências ao exigir disciplina. Assim, podemos inferir que as professoras identificam indisciplina escolar quando se veem diante de algo que fez parte da sua história de vida, que normalmente remete a infância.
As professoras entrevistadas sustentam que durante sua formação acadêmica a orientação recebida em relação a como lidar com a indisciplina escolar foi a de encaminhar o aluno a orientação pedagógica e não se preocupar com isso. Porém, a professora entrevistada que veio de outro estado (RJ) relata que, na intenção de minimizar a indisciplina escolar, recebeu a orientação de conhecer a realidade do aluno, que, por si só já diminuiria a incidência da indisciplina escolar.
Ressaltamos que, nos discursos das professoras, a maneira e a forma de disciplinar seus alunos possui origem em suas histórias de vida. Aquilo que era aceito e praticado por suas famílias seria aquilo que elas aceitam e praticam em sala de aula. Podemos inferir que para as professoras, suas famílias seguiriam um modelo estruturado, que também estaria presente na família dos alunos que são disciplinados. Assim, as famílias dos alunos indisciplinados seriam “desestruturadas” por não seguirem aquele modelo. Dessa forma, um efeito da estrutura da família estaria na transmissão as crianças de regras e valores pessoais, antes mesmo delas entrarem na escola.
Há uma tentativa clara de se identificar algo que justifique a indisciplina escolar, que, de acordo com as professoras entrevistadas, possui origem na família dos alunos indisciplinados, que são diferentes dos demais por não cumprirem determinada função familiar. Entendemos que essa posição das professoras é decorrente de suas próprias experiências profissionais, ao longo das quais, chamam os pais dos alunos indisciplinados, frequentemente, para “conversas ”. Talvez esse maior contato com pais de alunos indisciplinados contribua para a noção de indisciplina como reflexo de uma família desestruturada.
A categoria infantilidade social presente no discurso das professoras entrevistadas refere-se a interação dos alunos entre si e com a professora. Interessante notar que a interação entre os alunos não é observada somente em sala de aula, mas também na hora do intervalo das aulas e recreio, e mesmo nessa hora sua socialização é considerada infantil.
Segundo as professoras entrevistadas o problema não é brincar, é brincar de maneira errada; o problema não é falar, é falar continuamente, é gritar; o problema não é correr, é correr se acotovelando e no local errado; o problema não é questionar, é ser impertinente; assim, as professoras não identificam a indisciplina escolar no simples comportamento, mas no comportamento além dos limites e nas suas conseqüências.
Algo que está presente no discurso das professoras entrevistadas referente a infantilidade social é a relação que fazem entre a interação dos alunos e o ambiente escolar, pois os alunos não conseguiriam ou não saberiam conectar suas atitudes ao que o ambiente exige. Podemos afirmar, pelas entrevistas, que o aluno não saberia quando e em quais ambientes deve ocultar suas atitudes de criança.
Podemos considerar, a partir das afirmações das professoras, que a indisciplina escolar entendida enquanto infantilidade social esta intimamente relacionada a desqualificação do trabalho docente, pois a indisciplina “contagiaria” os colegas e geraria um “efeito cascata” cada vez mais difícil de disciplinar, desqualificando o trabalho docente. Esse grupo de indisciplinados transmitiria uma imagem infantil.
Assim, a indisciplina escolar entendida como infantilidade social pode ser notada tanto individualmente como em grupo. Aparentemente a idéia de infantilidade identificada nesta categoria não esta vinculada a uma relação entre idade física e cognitiva, estaria presente sim, a relação entre idade física, a idade pertinente a escolarização, e principalmente a expectativa esperada do comportamento do aluno.
Essas categorias identificadas, no discurso das professoras entrevistadas, interagem entre si, e uma não exclui a outra. Em outras palavras, indisciplina escolar pode ser concebida segundo, uma, duas, ou mais categorias do discurso das professoras.

Conclusão
Após as entrevistas e realizada a categorização, fica a nítida impressão de que aquilo que atrapalha os professores em realizar seu trabalho é a presença do aluno do outro lado da relação pedagógica. Aparentemente o professor espera um aluno ideal, que chega a escola já “educado”, propiciando a aquele, executar uma idéia que ele mesmo criou de um “jardim”, onde simplesmente se observa e se cuida do crescimento, onde não há “plantas daninhas”.
O discurso das professoras entrevistadas demonstra que elas não possuem nenhum embasamento teórico sobre o tema, o que não deve ser generalizado para a totalidade dos professores, o mais marcante é que aquilo que é pregado pela mídia, o que o professor viveu durante seu período de estudante,e principalmente transmitido pelas famílias é o que as professoras


REFERÊNCIAS

BARDIN, L. Análise de conteúdo. 5. ed. Lisboa: Edições 70, 2008.
MEIRIEU, P. A Pedagogia entre o dizer e o fazer. Porto Alegre: Artmed, 2002.
PATTON, M. Q., 1990, Qualitative Evaluation and Research Methods, Sage Publications, Inc. Newbury Park: London, 2nd ed.
POSTMAN, N. O desaparecimento da infância. Rio de Janeiro: Graphia, 2008.
TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO DA INDISCIPLINA

CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO DA INDISCIPLINA

O presente texto trata da constituição do sujeito identificado no discurso pedagógico sobre indisciplina escolar em três textos considerados Riboulet (1963), Vasconcelos (2003) e Aquino (2003).
Existe certa similaridade que permeia a idéia de sujeito no discurso pedagógico dos três autores: o entendimento de que o aluno necessita ser elevado a condição adulta pela educação, tendo o professor como o responsável por iluminá-lo.
Riboulet (1963, p. 175) escreve: ”para que o subordinado chegue a submissão perfeita, que surja uma circunstância extraordinária, uma crise moral, exija intervenção. (...) ao delinqüente”. Em Vasconcelos (2003, p. 474) encontramos: “a moral vem do respeito que adquirimos as regras e esse respeito começa no respeito que temos pelas pessoas que nos impõe tais regras”. E Aquino (2003, p. 384) adverte: “que a intervenção pedagógica não está se processando a contento” e que o “efeito mais evidente é o de que as regras de convívio e funcionamento do campo não estão sendo respeitadas, legitimadas pelos alunos”.
Os três autores, em maior ou menor grau, aprofundamento, e sob pontos de vista diferentes, consideram o aluno em um nível diferenciado ao do professor, necessitando deste a orientação para compreender e adentrar ao mundo adulto. Esta afirmação está ligada a concepção iluminista de sujeito, que, para ser considerado homem civil deve obedecer a razão, “encarnada na vontade geral” (ROUANET, 1996, p. 203).
Conforme afirma Rouanet (1996, p. 302), o que está em jogo não é uma tomada de posição contra ou a favor do Iluminismo, contra ou a favor da razão e da crítica, “é um combate totalmente contemporâneo, em vista da ressurgência da direita, e de um novo irracionalismo que desponta” (p. 302).
Boufleuer (2006, p. 310) escreve:

A moderna educação, pelo visto, vai se justificar enquanto ação de condução das novas gerações a ‘luz’ da razão, precavendo elas das ‘trevas’ da ignorância e da tirania dos poderes baseados na supertição, nos dogmas e no obscurantismo e que atendam contra a felicidade neste mundo. A educação vai se fazer necessária como medida preventiva contra o retrocesso ao antigo regime e a tradição medieval, bem como ação preparatória para uma sociedade que ainda é mais projeto do que realidade.

Kant (1724-1804) (1999, p. 14) afirma: “o homem não pode se tornar um verdadeiro homem senão pela educação. Ele é aquilo que a educação dele faz”. Esta afirmação de Kant faz remissão a outros três conceitos relacionados: disciplina, regra e felicidade.
De acordo com Caygill (2000, p. 104), para Kant, disciplina é entendida como “a coação graças a qual a tendência permanente que nos leva a desviar-nos de certas regras é finalmente extirpada”. Regra, para Kant, possui dois sentidos como condição e processo; o primeiro sentido é a regra prática, “é sempre um produto de razão, porque prescreve a ação como um meio para um efeito que é seu propósito”; o segundo sentido é a regra de habilidade, “como essa regra é aplicada a fim de se atingir um determinado fim” (CAYGILL, 2000, p. 277). Kant vincula felicidade opositivamente a liberdade (princípio de liberdade do legislador interno, ou eleuteronomia), e afirma que, caso o princípio de felicidade (eudaimonismo) seja o princípio de ação, o resultado será a eutanásia de toda a moral (CAYGILL, 2000, p. 148). Para Kant (1991, p. 43 apud CAYGILL, 2000, p. 148), “a humanidade ‘não deve participar de qualquer felicidade ou perfeição a não ser aquela que [os seres humanos] obtiveram por si mesmos sem intervenção do instinto e por sua própria razão”.
Conforme Souza (2003, p. 122), o movimento iluminista “encontra sua força no argumento racionalista que concebe o homem como constituído pela razão”, ou seja, “dotado dos instrumentos necessários a sua autonomia, cabendo a sua consciência organizar a vida associativa de acordo com os princípios da liberdade e da igualdade”. Em outras palavras, segundo o ideário do Iluminismo, em decorrência da sua constituição racional dos seres humanos “poderiam assumir a maioridade cognoscente e política, viabilizada, no plano político, pela implantação da idéia da igualdade e da liberdade, e, no plano social, pela extensão do conhecimento através da disseminação da educação”.
De qualquer modo, o aluno entendido por natureza como mal deve ser descrito imparcialmente, sem julgamento de valor e se a natureza é o mal, para modificá-la é preciso praticar o crime. “Punindo o crime, a moral é contrária a natureza”, ela é, portanto, “puramente convencional e não somente convencional e não somente não se funda na natureza como está em contradição direta com ela” (ROUANET, 1996, p. 213, 214).
Esse sujeito presente no discurso pedagógico sobre indisciplina escolar demonstra não só o entendimento que o professor possui da posição do aluno, mas também o percurso que este aluno deve percorrer para alcançar o estatus de adulto.
A felicidade, a natureza e o mal devem ser transpostos pela educação, mediante a supervisão de um adulto, para possibilitar ao aluno alçar a liberdade vinculada a moral e a racionalidade. Isso, segundo Meirieu (2002, p. 138), apresenta uma contradição entre a “educação como reconhecimento de um sujeito já existente e a educação como formação de um sujeito que só terá esse estatuto no final do processo educativo”.

Neste ponto, então, podemos considerar que, indisciplina escolar pela ótica do discurso, se exibe como uma tentativa de o aluno se afirmar como sujeito com certa parcela de razão e que não é reconhecido pelo professor.

REFERÊNCIAS


AQUINO, J. G. Disciplina e indisciplina como representações da educação contemporânea. In: BARBOSA, R.L.L. (Org.). Formação de educadores: desafios e perspectivas. São Paulo: UNESP, 2003. p. 377–385.
BOUFLEUR, J. P. O paradigma da comunicação e a re-configuração do espaço pedagógico. In: TREVISAN, A. M.; TOMAZETTI, E. M. (Org.). Cultura e alteridade. Ijuí: Unijuí, 2006. p. 143 – 155.
CAYGILL, H. Dicionário Kant. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.
CAMBRIDGE; Cambridge Advanced Learners Dictionary, 3. ed. São Paulo: Cambridge do Brasil, 2008
KANT, I. Sobre a Pedagogia. 2. ed. Piracicaba, SP: Unimep, 1999.
MEIRIEU, P. A Pedagogia entre o dizer e o fazer. Porto Alegre: Artmed, 2002.
RIBOULET, L. Disciplina preventiva. 3. ed. São Paulo: F.T.D., 1963.
ROUANET, S. P. As razões do iluminismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
SACRISTÁN, J. G. O aluno como invenção. Porto Alegre: Artmed, 2005.
SOUZA, M. Fios e furos: a trama da subjetividade e a educação. Revista Brasileira de Educação. Rio de Janeiro, n. 26, p. 119 - 133 ago. 2004.
VASCONCELOS, M. S. Disciplina e indisciplina como representações na educação contemporânea: a ética da obediência. In: BARBOSA, R. L. L. (Org.). Formação de educadores: desafios e perspectivas. São Paulo: UNESP, 2003. p. 465 – 477.

Trova a indisciplina escolar

TROVA A INDISCIPLINA ESCOLAR


RESUMO
O presente trabalho, não é um escárnio, é um orvalho de criatividade quase uma frugalidade. Quando se trata de indisciplina tudo aparece na surdina. Tentativa de tirar o entendimento da neblina. A composição dessa trova é uma maneira nova, de abordar a indisciplina escolar. Ele mostra uma perspectiva inventiva para a indisciplina. O professor, trabalhador, tenta com paixão acabar com a rebelião, recorrendo para a punição, visando do aluno a formação. O presente trabalho esta dividido em duas partes, para ao fim, estarmos sorridentes. A primeira refere-se ao professor, quase um sofredor. A segunda mostra a resposta do indisciplinado quase magoado. Os leitores não encontrarão uma conclusão, isso, deixo para os professores ou pesquisadores. Do indisciplinado se mostra as dores, e esta é só uma das cores desses alunos voadores. Este artigo pode ser um perigo ao professor do aluno inimigo. Aqui se tenta demonstrar que a indisciplina escolar pode seu dia alegrar. A maneira que este artigo foi escrito pode soar esquisito, parecer erudito, talvez até bonito, mas também é um delito.

Palavras chave: Educação, indisciplina, emoção.


TROVA A INDISCIPLINA ESCOLAR

Pela manha sonhava em ser caminhoneira, talvez espanhola
Lá pelas dez da manhã já mudara, de pipoqueira a cantora;
Ao meio dia, com fome, depois de muito brincar na escola
Restava, entretanto a opção desafiadora de ser professora.

Tarde divertida
As vezes estudava
Pouco distraída
Formada me julgava.
Após a janta,
Não mais infanta
Fora dormir sonhadora
Com a mãe por protetora.

Pois
Segundo Tardif 2002
Na pagina 11 escreveu
Que o saber do professor é só seu
Que advêm da sua experiência de vida
e também vem da história da sua lida
Que é influenciado pela identidade
e pela individualidade.

Sonhava em ser uma professora ideal.
Que conhece a matéria em seu total.
Sua disciplina e seu programa sem ser ornamental.
No cotidiano com o aluno desenvolvendo meu saber experiencial.
Isso, Tardif escreveu no ano de 2002
na pagina 39, nem antes nem depois.

Montessori, Freire, Gardner
Kant, Rouseau, Gadamer
Talvez um francês, quem sabe um inglês,
que ajude a deixar meu aluno cortês.
Apagada amargura agora era minha vez,
jovem tez não tinha marca nem ranhura.

O sono mais fundo não deixava entrever
o que acabava por mudar meu entender
Meu Pai carrancudo amava me proteger;
e minha mãe tornava o amar fecundo
Uma sobra no meu ombro desejava compreender
tudo isso antes do amanhecer
Abandono o dormitar, já ha me alegrar
em levantar num segundo ir trabalhar.




Quando na escola a ensinar
Na sala de aula pontificar
Em boa intenção demonstrar
Uma educação a ministrar
Um monstro vem atormentar
Uma gárgula a gritar
Vem esmola solicitar
Um tempo dispensar
Paciência ha esgotar
Indisciplina escolar

No início tudo são flores, do outro aluno tomo as dores
Para não perder mais tempo e diminuir meu tormento
O mando para os corredores falar com os coordenadores
Não passou de um momento e continuo meu fomento.

A escola não é lugar de brincar
Se deve estudar
Com afinco trabalhar
Sem o colega atrapalhar.

Nessas horas utilizo o método tradicional
Que Araújo 1996 de maneira natural
na página 110 escreveu
e propriamente esclareceu
“Que o modo de lidar com a indisciplina é o da repressão
por meio de instrumentos de coação
colocados pela sociedade a disposição
dos sujeitos da educação”.

Hoje em dia os pais são complacentes com erros recorrentes
Não impõe respeito nem cobram mesuras exaltando travessuras
O aluno não satisfeito, sempre mais sorridente brinca alegremente
Se esvai minha atenção e busco uma punição que visa boa formação
O ciclo vai se fechar como o pai ele vai ficar na cadeia vai parar
O que posso falar se ele não quer me escutar
Em seu lugar não consegue ficar
Não há mais o que tentar.


Foi Postman 1999 que escreveu na pagina 165,
algo que me pareceu um brinco e que merece vinco,
“as crianças se tronam como que um fardo”
“entanto pais e mães abrem seu caminho no mundo” sem resguardo
Assim “é melhor que a infância termine o mais cedo possível”
E isso vem ocorrendo de modo visível.

Mesmo autor mesma página,
Alerta de maneira cristalina.
A escola é a única instituição pública que nos resta
baseada no pressuposto que se presta
a demonstrar que há diferenças
entre a idade adulta e das crianças.
Mais a diante escreve a noção
de que a escola é casa de detenção
e não de atenção.

O fruto não cai longe do pé
Com esse absurdo só mesmo a fé
Ah, como me irrita aquele fedido boné
Queria poder lhe dar só um ponta pé
Os dias de hoje arrepiariam até São Tomé
Assim Riboulet entendeu a questão
Com indisciplinado só a religião
O professor de Deus é extensão
Para ir ao banheiro só com permissão.

É de pequenino que se entorta o pepino
Nenhum ensino pode com aquele menino
De escola peregrino, em sua cabeça falta um pino
Quisera meu destino não revolvesse meu intestino.

Ele é tão mesquinho não vê que estou trabalhando
Ele é tão baixinho e vive me atrapalhando
Fala sussurrando no mundo da lua vagando
Me vou amargurando com a voz falhando.




Estrela 1994 na pagina 67 escreveu algo interessante
Que o professor só interfere quando o barulho é exorbitante
Quando a voz do aluno é maior que a do professor
Assim ele se adapta ao meio exterior
O que não pode ser generalizado
Mas é importante e não é engraçado.

Para seu discernimento apelo emocionada
Sem entender direito ele fica de cabeça abaixada
Imagino que ele vai ceder, dessa vez é pra valer
Sem eu perceber, ele volta a se mexer.

Não adianta tentar, ele fala sem parar
Não vou me admoestar, atenção não vou lhe dar
A muito custo aprendi essa dica
Em uma palestra do Icami Tiba.

Como ele pode imaginar que estudar seja “Ctrl C Ctrl V”
Não consigo entender porque ele não quer se desenvolver
Ele não para de falar, seja sobre internet, televisão, ou HQ
Quando ele finalmente perceber será tarde para aprender.

Li em Postman 2009 algo que natural me pareceu
Foi na pagina 62 que escreveu
Que “a vergonha é um elemento essencial no processo civilizatório”
Por isso avilto meu aluno com esse palavrório.

Alunos e alunas!
Vamos todos de mãos juntas
Rezar a Deus nosso senhor
Com todo nosso fervor
Que o Nestor não traga mais seu tambor
Que o José pare de bater o pé
Que o João não jogue de papel o avião
Para que cesse dessa turma a decadência
Só se o Ivan pedir transferência.




Quando no meio do chuleio
Bato o pé em devaneio
O indisciplinado não tem freio
E muito pouco asseio
Busco uma solução com anseio.

Até tentei o contrato pedagógico
Em Aquino 2003 me pareceu muito lógico
Na pagina 69 um ditado escreveu
Foi quando me esclareceu
“O combinado não sai caro”
No primeiro dia de aula foi o meu amparo
“Trata-se de uma espécie de pacto de confiança”
Tentei seguir em frente sem desconfiança
Mas infelizmente a indisciplina sempre avança
Parece que o aluno nunca vai deixar de ser criança.

A criança brinca seu mundo a criar
A professor a se matar
Tenta pedagogicamente ensinar
Sem seu aluno poder alcançar.

O aluno durante a aula no mundo da lua
Na hora da prova tenta alguma falcatrua
Não é questão de mesquinhez
Mas um zero vai levar dessa vez
O que que eu posso fazer se é para ele aprender
Ele precisa crescer um pouco amadurecer
É para seu próprio bem tento me convencer
Mas não posso deixar ele reprovar
Ano que vem ele volta a me aporrinhar
Mas ele já reprovou dois anos consecutivos
Esse aluno não procurou seus objetivos
Acho que vai virar cobrador de coletivos.

Nele não acho nenhum ponto positivo
Os colegas nele perecem ver um atrativo
Para todos os professores ele é repulsivo
Para fazer bagunça é bem inventivo.

Porém Gross em seu mestrado
Identificou um desamparo
Dos 21 professores entrevistados
Da quinta série peneirados
Durante sua formação nada leram
Sobre indisciplina nada aprenderam
A disciplinação por eles empregada
De sua vida vem sendo aproveitada.

Estrela no ano de 1994, na página 85
Nos avisa com afinco
Que o aluno indisciplinado
Aquele desavergonhado
Atinge o professor em sua autoridade primeiro
Para depois atingir sua pessoa sem passeio.

Ao fim do dia, sem energia
Ser professora já não queria
Alegria não mais possuía
Mais um dia não agüentaria.

Foi quando encontrei
No fundo da bolsa identifiquei
A carta que a seguir transcreverei.


A MINHA PROFESSORINHA COM CARINHO

Professorinha Queridinha
Aceite esse versinho com carinho
Do meu direito tenho conhecimento
Mesmo sem escrever direito.

Sei que sou impertinente
E que minha letra é diferente
Estou sempre sorridente
E as suas solicitações sou indiferente
O seu dedo sempre em riste
Me deixa muito triste
Ai tento fazer um chiste.
Mas quando vejo seu olho esbugalhado
Fico todo abobalhado
E depois que você fala, fico todo enxovalhado
Volto para caso todo apavorado
Tento não dar pinta
Meu pai já vai tirando a cinta
Tento argumentar
Mas ele não quer conversar
Minha mãe tenta acalmar
E vou dormir sem jantar.

No dia seguinte na escola
A conversa começa sem demora
Em dia de prova o que rola é a cola
A professora chega com sua maleta assim que toca a sineta
A lua pra mim não é planeta
É um lugar onde vou passear
E escapar de uma bronca levar
Mas não adianta me esconder nem me encolher
A senhora sempre vai me escolher
Sua pergunta vou sempre temer
Mas sua matéria não consigo entender
Eu vejo que a senhora quer me esclarecer
MAS NUNCA VOU ME RENDER!!!
EU QUERO APRENDER!!!
Mas ai quando o Nestor toca seu tambor
Saio do estupor não tenho mais temor
O José começa a bater o pé
E o André sempre vem de boné
É claro que eu vou reclamar né?
Mas a senhora só escuta quando eu reclamo
E acha que sou sempre eu que tramo
Eu sei, parece que tenho um plano
Mas a culpa é do meu mano.

Eu juro que sou inocente!
Não sou indecente nem indigente!
Quero ser tratado como gente!
Qual o problema em estar contente?

Eu acho que a sala de aula mais parece uma jaula
Queria correr lá fora, agora o recreio não demora
Vamos todos jogar bola até sair do tênis a sola
Jogar conversa fora e tomar coca-cola
Mas ai vem a prova
Como sou inteligente passo cola e cavo minha cova
Vá para fora, conversar com o orientador AGORA!
Minha mãe agora me devora.

Não sei se a senhora me entendeu
Mas o culpado novamente não sou eu
Mas o orientador não se comoveu
Também não percebeu que um premio ele me deu
Ficar em casa vendo TV e lendo HQ.

Infelizmente meu pai não ficou contente
E falou meio de repente
Você quer ficar parecido com a gente?
Você é inteligente aja de maneira coerente!
Ninguém da nossa família foi pra faculdade!
Respeite a professora em sua autoridade!
Qual a dificuldade?
Vai ser engenheiro construir uma cidade!
Mas esse seu comportamento é uma calamidade!
Não percebe que estou sóbrio?
Essa conversa me da um imbróglio!
A prisão não tem dormitório!
Com os gritos na vizinhança já começa o falatório.

Minha mãe envergonhada vai trabalhar apressada
A patroa ainda deve estar ressonada depois de dar aula
Ela é uma mestre renomada
Em pedagogia formada, com três filhos, e separada
A mãe pede conselhos pra ela enquanto lava a janela
E ela diz que aluno que se rebela é porque o professor da trela.

A escola devia ser um abrigo não um castigo
Lá não tenho nenhum amigo
Não quero ser mendigo, mas me concentrar não consigo
Todo mundo briga comigo, não escapo nem no domingo.
Tento ser engraçado mesmo sendo espancado
Como gato escaldado, tento ser de seu agrado.

Não devo ter jeito, como indisciplinado fui eleito
Devo ter algum defeito, sou meio imperfeito
Da escola tento tirar proveito, e estudo do meu jeito.

São poucas as horas que posso me soltar
Brincar, brincar, brincar...
As vezes no meu lugar jogo um avião para voar
Voar, voar, voar...

Professora não briga mais comigo
Eu quero ser seu amigo, mas não consigo
Eu preciso de abrigo, é isso que eu digo.

Mas ninguém me escuta
Sempre reclamam da minha conduta
Parece sempre ter uma disputa
Entre eu e a senhora.
Não sei se você chora
Quando me põe pra fora, parece até que tem espora.

Eu sei que eu choro. É por dentro, não é sonoro
Queima como fósforo. Por favor, eu imploro
Eu sou criança ainda não tenho pança
Na senhora não tenho confiança
Meu comportamento não precisa de mudança
Seu conhecimento é que não avança
Para sair da escola o diploma é fiança.

Parece que a senhora nunca foi criança
Se esqueceu que brincava? Agora da Pedagogia é escrava!
Não se lembra que reclamava? De sua professora e sua clava!

Se esqueceu que se divertia? Chamava sua professora de tia!
E de mim tenta tirar essa mania? Tudo isso é uma porcaria!



Se esqueceu que já foi criança?
Disso não sobrou nenhuma herança?
Se esconde atrás dessa segurança?
Na senhora também não vejo nenhuma mudança!

A senhora gosta de ter poder.
Não quer nem saber!
Não me deixa esclarecer.
Só quer saber de reger!

Uma pop-star pedagógica.
Para a senhora tudo é lógica
Gosta mesmo é de uma retórica.
Mas fala por metáfora.
Não entendo a senhora.
Que acabe a aula não vejo a hora.

A senhora não sabe do que preciso.
Me chama de indeciso
Me deixando de sobreaviso.
E tenta conter o meu riso
Como se isso fosse contagioso.
Me acha monstruoso
Me chama de ruidoso.
Diz que meu futuro não vai ser frondoso
Mesmo quando tento ser bondoso.

Quando tento dizer que ganhei um cachorrinho.
A senhora acha que eu sou um tolinho.
E nunca mais devolveu meu carrinho.
Nunca recebo um carinho.

Me acham um mimado. Mas brincar não sou autorizado
Vivo aterrorizado. Por não ter o alfabeto decorado
Meu jeans já esta até desbotado. De viver sentado
No livro enfurnado. Tentar me manter informado
Para que meus pais me vejam formado



Mas qual o modelo de adulto que eu tenho?
Sempre medindo meu desempenho!
Não percebem que me empenho?
Olha que bonito meu desenho!

Mas a raiz quadrada de 9 é 3. A formula de Báskara parece javanês
A senhora acha que eu falo maluques,
e todo mundo acha que eu sou burguês.
Vivo numa quitinete com acesso a internet, 5+2=7.
Minha orelha não precisa de cotonet.
Para ouvir sua lamúria por viver na penúria

Quando o aluno novo encara
De cara vê a cara do cara
Não lê, nem estuda... ó o cara!
Mas sabe a raiz de 36 de cara
A professora nem olha na cara
A professora minha cara
Diz que o santo é só mascara

Não sei se a senhora percebeu
Não sobrou ninguém
Só aquele que já aprendeu
Para o indisciplinado nem um vintém.

REFERÊNCIAS

AQUINO, J. G. Indisciplina. São Paulo: Moderna, 2003.
ARAÚJO, U.F. Moralidade e Indisciplina. In: AQUINO, J. G. (Org.). Indisciplina na escola. 13. ed. São Paulo: Summus, 1996. p. 103 - 115.
ESTRELA, M. T. Relação pedagógica disciplina e indisciplina na aula. 2. ed. Porto: Porto, 1994.
GROSS, I. Discurso pedagógico sobre indisciplina escolar. 2009. 112 f. Dissertação (Mestrado em Educação) Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, 2009.
POSTMAN, N. O desaparecimento da infância. Rio de Janeiro: Graphia, 1999
RIBOULET, L. Disciplina preventiva. 3. ed. São Paulo: F.T.D., 1963.
TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Uma história de bully

Quando eu era adolescente eu escutei uma musica que me chamou a atenção, claro que também estava na moda; mas o que mais me chamou a atenção naquela época foi o boato de que ela havia sido escrita com base em fatos reais. O assunto sumiu, a música saiu de moda, o grupo não sei o que aconteceu, mas por esses dias eu estava procurando musicas na net e lembrei do grupo (Pearl Jan) acho que estava passando um vídeo clipe, ou tocando no rádio, lembrei da música (Jeremy), baixei, comecei a escutar e finalmente mais de 15 anos depois ela fez sentido. Comecei a procurar informações sobre a música, e vejam o que encontrei.

Jeremy Wade Delle, um aluno da Richardson High School se suicidou em frente aos seus 30 colegas de sala com um tiro na boca. O menino de 16 anos era apontado como solitário e problemático, mas também um ótimo garoto com uma montanha de problemas que ele não merecia.

O compositor da letra (vocalista do grupo) explica porque se interessou pela história: “Ela veio em um pequeno pedaço de papel, onde ele explicava que o sacrifício era obter vingança. Isso tudo acabou em um ponto no jornal. Isso não muda nada, o mundo continua e você se foi. A melhor vingança é viver e provar a si mesmo. Seja mais forte que essas pessoas. E então você pode voltar”.


Veja agora um depoimento de uma aluna que assina Sah: Cara.. O nosso professor passou um vídeo p gente.. todo em ingles.. um clip do Pearl Jam : Jeremy. No começo.. eu achei um tanto psicopata, o clip.. mas cara, na segunda amostra do clip, eu jah tava cantando o refrão o// Aiiinn... Agora eu to fissurada na historia do Jemy.. tipo, uma cosa dessa pode acontecer com a gente.. e a historia dele eh tocante.. agora, eu to apaixonaaada pela musica.. e pelo Jeremy tbm!! Serve como exemplo p gente, ter forças, e não terminar como mais um suicida, pq vc morre, e o mundo fica. =*

A repercução do ocorrido, e da música tomou tamanhos imenços, o presidente Bill Clinton, junto com Pearl Jam cantou uma versão da música em Colorado.

A noticia de jornal saiu dia 8 de janeiro de 1991. Nela se explica o acontecimento: Jeremy chegou atrasado para a aula de inglês, a professora o mandou pegar uma autorização com a diretoria para poder entrar na aula; Jeremy se dirigiu a porta, voltou e disse: “não cheguei atrasado para o que vim fazer”, tirou uma pistola .357 e atirou no céu da boca, na frente de 30 alunos e da professora.(você pode ler na integra em http://www.sshep.com/jeremynew.htm)

Mas Jeremy estava se vingando de que?
As noticias que se encontram após o incidente tentam explicar o acontecimento de diversas maneiras, mas duas aparecem em todas, bully e maus tratos parentais.

Quanto aos maus tratos parentais, as noticias vem de depoimentos de colegas a quem Jeremy confidenciava os ocorridos, surras, humilhações entre outros.

Quanto ao bully, mesmo ele tendo sido identificado só após a morte, ele teria duas fontes: os professores e os colegas de colégio.

Quanto ao bully dos professores: segundo seus colegas de sala, Jeremy era constantemente humilhado pelos professores, por suas notas, sua aparência etc.

Quanto ao bully dos colegas: ele é identificado por outros que também foram vítimas dos mesmos agressores, e relatado como bully direto, físico e moral.

Porém em nenhuma das informações Jeremy é descrito como vítima, ele sempre é descrito como triste. Esse acontecimento deu uma visibilidade ao aumento do número de suicídios de estudantes.

Então até aqui, não posso afirmar com certeza se Jeremy se suicidou por causa do bully (que é referido na música), dos maus tratos familiares, ou tristeza. Porém o que se pode afirmar é que tanto a música, como o vídeo são ferramentas poderosas para se trabalhar o bullying na escola. Mais especificamente em aulas de inglês, onde se pode trabalhar a tradução e a história por trás dos acontecimentos. Ele pode ser fonte de pesquisa de aulas de educação artística e expressões da música em outros meios, como por exemplo um desenho que represente música, uma pintura, uma peça de teatro, etc. Sua tradução pode ser trabalhada em aulas de português sobre poesia. Nas aulas de matemática sobre a métrica da música. Em aulas de história pode servir para mostrar o quadro dos acontecimentos dos anos 90. Em aulas de geografia para mostrar onde fica Colorado E.U.A.. Em fim, qualquer justificativa que propicie o trabalho sobre o bully na escola, atingindo onde o jovem mais passa tempo, na net e nos Mp3.

A baixo, a tradução da música, entre parênteses o tempo da música onde encontrar esses versos.
Quando você escutar a música preste atenção em três coisas; as expressões que são gritadas pelo cantor, e onde entra o bully no contexto da canção, principalmente por que Jeremy é descrito como o Rei perverso.

Jeremy (Pearl Jam – compositores: Eddie Vedder / Jeff Ament)
Em casa
Desenhando figuras de topos de montanhas
Com ele no topo, sol amarelo limão
Braços erguidos em V
Os mortos estendidos em poças de cor marron embaixo deles

Papai não deu atenção (0’43’’)
Para o fato de que a mamãe não se importava (0’50’’)
Rei Jeremy, o perverso
Governou seu mundo

Jeremy falou na aula de hoje
Jeremy falou na aula de hoje

Me lembro claramente
Perseguindo o garoto (1’21’’)
Parecia uma sacanagem inofensiva

Mas nós libertamos um leão (1’28’’)
Que rangeu os dentes
e mordeu os seios da menina na hora do intervalo

Como eu poderia esquecer
E me acertou com um soco de esquerda de surpresa (1’39’’)
Meu maxilar ficou machucado

Deslocado e aberto
Assim como no dia
Como dia em que ouvi

Papai não dava carinho (1’56’’)
E o garoto era algo
Que mamãe não aceitaria
Rei Jeremy, o perverso
Governou seu mundo

Jeremy falou na aula de hoje (3x)

Tente esquecer isto (2’47’’)
Tente apagar isto
Do quadro negro

Jeremy falou na aula de hoje (2x)
Jeremy falou Falou (2x)

Jeremy falou na aula de hoje


No YouTube você encontra diversas verções, umas censuradas, outras não; algumas com legenda.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Indisciplina no Egito

A questão da indisciplina no Egito apresenta certas peculiaridades intrigantes. Na voz dos professores a questão da indisciplina escolar...

“Deus não desperdiça a recompensa dos melhores trabalhos. O Egito está fazendo um grande esforço de encontrar na disciplina de sala de aula o amor. O professor ruim não é considerado no centro da comunidade escolar.
O professor deve ser um líder, ele tem poder e conhecimento para isso, mas alguns não possuem essa característica. Eu sou um professor que trabalha na Arábia Saudita e Egito, eu trabalho duro e não utilizo a força para conseguir a disciplina de meus alunos, mesmo podendo ficar mal na frente deles, o estudante é o único juiz para o professor, como um espelho que reflete sua imagem.”
Farouk Mahmoud - Cairo

“Há alguma coisa pior do que a representação de uma escola de hooligans? Infelizmente, eles agora estão livres para os meios de comunicação como grandes heróis experientes neste jogo, o que destruiu as raízes do homem árabe!”
Shamis Hassan – Cairo

"A diminuição do nível de ética é geral para os estudantes em nossas escolas, em consonância com o espírito da decadência ocidental experimentado pelo nosso povo em vários campos.”
Ezzat Mohamed Fawzi - Mansoura

“Se olharmos para a educação dos velhos tempos, mesmo nos anos oitenta, constatamos que o nível da disciplina desmoronou; é problemático dar a razão para os professores que hoje em dia não se importam com a sua consciência para explicar as lições, param deliberadamente as aulas, exigindo que o aluno lide com ele como mestre, infelizmente, encontramos um punhado de professores que abusam de cigarros, piadas, e punições com estudantes. É de onde vem a disciplina? Em nossos dias, quando víamos Mdersena andando na rua, atravessávamos para outra rua; ou quando encontrávamos Tuarena em um lugar nós o respeitávamos, mas isso não reflete as condições de hoje em dia, infelizmente, isso não ocorre só em nossa região, mas em todo o mundo, sem exceção”.
Mohamed Badr – Egito

“Agora não há demanda para a profissão de ensinar aos jovens novos como era no passado e, certamente, sua crença de que a disciplina e a educação nos países árabes, em geral, tem-se deteriorado significativamente. Vale ha pena mencionar que o Ocidente, que agora sofre a deterioração da disciplina dentro de suas escolas tem uma grande participação na deterioração da educação na região árabe por interferir com os seus métodos na fase primária. Somado a isso há a má organização da gestão com base no processo educacional e à falta de experiência; juntamente com a promulgação de algumas leis que prejudicaram as ações do professor, este não é o comportamento do professor agora é um comportamento completamente diferente, já que as gerações atrás o Professor era realmente quase um mensageiro”.
Rose Naji – Egito

“Este currículo, da qual saiu um grupo de professores e educadores que são incapazes de atualização danificaram o campo educacional, e todos os outros campos Kalhakl cultural e científico”.
Mohamed Fadel – Western Sahara

“Eu acho que o problema nos Estados árabes não é na escola, mas encontra-se na personalidade do próprio professor, ele precisa ser um modelo para seus alunos”.
Paratruque – Egito

“A disciplina nas escolas privadas, não-existente. Nas escolas públicas isso irá depender da escola, do professor e do diretor, mas na maioria das escolas públicas há um sistema de disciplina, graças a Deus”.
Mohammed al-Bitar – Lattakia

Essa á ótima! Deixei a melhor por último!!!!!

Nossas escolas são piores que as do Brasil, nossos filhos ficam sem educação e educação.
Fathi Ghraib – Cairo

Fonte: http://news.bbc.co.uk/hi/arabic/talking_point/newsid_4908000/4908054.stm

Indisciplina escolar na Coréia do Norte.

Hoje estaremos indo a Coréia do Norte, investigar aspectos da indisciplina escolar naquele pais.
Na Coréia do Norte a educação infantil vai até aos 11 anos. O ensino é gratuito e obrigatório, há uma relação entre educação formal e educação comunitária. A crise econômica deixou as escolas com problemas estruturais, falta de equipamentos, laboratório e atendimento deficiente; a formação dos professores, de base humanista (que não tem nada relacionado ao conceito ocidental do termo, aqui ele visa a formação socialista e desenvolvimento da criatividade do humano) visa a reconstrução econômica no domínio da ciência e tecnologia.
Na Coréia do Norte a educação é de base socialista, e utilizada de forma a criar (desenvolver) na criança o respeito e o gosto pelas idéias do comunismo e socialismo. Segundo Kim Il “sobre o homem armado, a busca humana de interesses sociais, e para a construção do comunismo, otimismo revolucionário significa um ser humano”.

Interessante notar que todas as formas de indisciplina fora da escola, como por exemplo as que são citadas nos sites oficiais: falta de amor a pátria, fuga do país, desrespeito ao comandante, desrespeito a idéia socialista, são conferidas como tendo sua origem nos bancos escolares.

A interdisciplinaridade na C.N. vai dos quatro aos seis anos, e só; depois disso as matérias são divididas em físicas e “intelectuais”; as “intelectuais” não apresentam relação após aquela idade.
As escolas para super dotados e escolas de línguas estrangeiras ficam o mais longe possível da residência das crianças. O ensino técnico é praticamente a única forma de o jovem avançar nos estudos. O recesso escolar vai de janeiro a fevereiro e depois em agosto.
Outra luta do sistema educacional Norte-coreano é apagar a herança colonial japonesa, fazendo com que a identidade étnica seja relevante.

Quanto aos alunos indisciplinados (no sentido escolar), quando são re-incidentes, eles são mandados para escolas fazenda em Nongbeongi, sua estada lá pode variar desde um dia até 8 semanas. Aos alunos do nosso “segundo grau” eles podem passar até 58 semanas lá. Alunos da “faculdade” podem ficar até 56 anos nessa escola fazenda.
Os alunos indisciplinados, antes de entrar na escola fazem exercícios físicos como flexões e “polichinelo”, recebem também um crachá amarelo para que sejam identificados e vigiados “mais de perto”.
As faculdades desenvolvem fábricas onde seus alunos trabalham, os indisciplinados recebem os trabalhos mais “educativos para compreender e respeitar o sistema da moral socialista”.
A idéia de bully ainda não é muito pesquisada na C.N.
A principal idéia que atravessa a indisciplina escolar é que qualquer punição deva ter uma função educativa para o individuo não para a instituição escolar; o discurso é o de sacrifício pela pátria.
Aos bons alunos é conferida a medalha do “herói infantil”.
Em frente a uma escola é citada uma fraze:"Os direitos humanos param em frente a esse portão".
(fontes:
http://www.kosis.kr/bukhan/unikorea_pdf/6-1.pdf
www.malaykorea.com
www.vop.com.kr )

Foto de uma escola Norte-coreana, em “sua fase japonesa”, conferindo a medalha do herói infantil aos bons alunos.


Para saber mais... me escreva.
Voltaremos a esse país mais a diante.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Indisciplina e bully pelo mundo. Parada de hoje o mundo árabe.

Hoje vamos iniciar um projeto interessante, a indisciplina pelo mundo!
Caso você queira saber sobre um país específico me escreva que postarei em seguida.
As postagens não serão em sequência, mas você poderá selecioná-las pelas palavras chave. Começaremos pelo mundo árabe:

Quando você começar a pesquisar sobre o assunto, identificará algumas coisas:
primeiro, o termo indisciplina lá, se refere a basicamente dois assuntos, ao futebol e a religião.

Quando ligado ao futebol (e esportes em geral) a indisciplina é referida como o ato de comer alimentos inadequados, ou a ingestão de álcool; essas atitudes estão ligadas ao segundo assunto a religião.

Quanto a religião, a indisciplina geralmente é referida como o ato de "orar" errado; os mais velhos, lidam com isso da seguinte maneira: um membro mais velho fica observando os mais jovens a orar, quando observam algo realizado da maneira errada, eles se utilizam de meios de deixar o jovem envergonhado e se sentindo culpado na intenção de que esse jovem passe a rezar em casa, não “contaminando” outros com seu modo errado. (fonte: http://www.7oor-s.com/vb/showthread.php?p=338262 )

Aparentemente eles se preocupam com a indisciplina escolar por dois motivos principais: o mais importante é que a criança não se torne americanizada; e em segundo para evitar que a criança se torne criminosa na vida adulta.
É interessante notar nos textos não acadêmicos que falam sobre o assunto, que eles possuem um entendimento de contínuo de criança para adulto, mais ou menos assim: a criança já possui um adulto dentro de sí, e o adulto ainda possui uma criança dentro de sí; transmitindo a idéia de transição entre grandes espaços.

A família é protegida por lei (e incentivada ha) para punir o aluno que é indisciplinado na escola, através de chicotadas, chinelada, trabalhos pesados, e caso algum aluno se queixe disso ele é punido pelo estado por não ter respeitado a decisão da família (no caso o pai).

A punição dos alunos indisciplinados é proibida nas escolas já a mais de 15 anos. Antigamente a punição era de 40 chibatadas. Lá (no mundo árabe) eles também culpam os pais pela indisciplina escolar, acham que os alunos tem mais direitos que deveres. Interessante que em escolas particulares, eles aplicam métodos americanos para minimizar a indisciplina escolar. Em escolas públicas eles combinam práticas punitivas e recompensatórias, eles telefonam para a casa do aluno para elogiá-lo para os pais. Alguns pais de alunos indisciplinados vão assistir aula com os filhos.
Outra forma deles se referirem a indisciplina é “comportamento errático”.

Quanto ao bully, ele é encarado como profanação do corpo, sendo punido por lei. Porém os dois são punidos, agressor (o que inclui o professor caso tenha sido ele) por profanar o corpo do outro; e o agredido é punido por ter deixado o corpo ser profanado. (fonte: http://www.almarefh.org/news.php?action=show&id=4141 )

Acredito que já deu pra ter uma idéia, caso queira saber mais me escreva.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Teoria X Prática...

O que é indisciplina na prática?

Eu estive pensando, a quase totalidade dos pesquisadores que se debruçam sobre o tema da indisciplina escolar vem no professor um agente relevante no processo de desenvolvimento da indisciplina escolar.
Porém, há uma distância. O professor pode concordar com o que quer que seja; que a responsabilidade é dele, dos pais, da sociedade, da internet, da própria criança, como sendo o ponto nodal de aprendizagem da indisciplina (já que nenhuma criança nasce indisciplinada). Porém há algo na sala de aula que é justamente o que incomoda o professor; a existência da indisciplina não importa da onde ela venha ou tenha sua origem.
Ai é que surge minha pergunta, o que é a indisciplina na prática diária em sala de aula, qual o limite, isso se há um limite máximo e um mínimo?

Por exemplo, em um outro blog (de uma professora) ela despreza o mascar chiclete em sala de aula, chama os alunos de ruminantes e etc... não vem ao caso se concordo ou não com isso, o que importa aqui é que ela considera isso como sendo indisciplina.
Outro exemplo é retirado de um livro (bem interessante por sinal, falaremos mais sobre ele em outras postagens) chamado: Como se tornar o pior aluno da escola. Nesse livro o autor ensina diversas maneiras de fazer “bagunça” em sala de aula (bagunça é como ele chama); um dos exemplos é causar um curto circuito na rede elétrica da escola; outro exemplo é equilibrar um copo de plástico encima da porta cheio de “água”, para que quando alguém, no caso o professor, entre seja molhado.
Posso dar um outro exemplo meu. Uma vez levei para a sala de aula uma fita de vídeo k7; desenrolei a fita pela sala toda, que ficou imunda.

Qual a diferença entre o que tem sido encontrado em pesquisas e o que é sentido pelos professores no dia a dia em sala de aula. Não falo de métodos para disciplinar os alunos, questiono sobre o sentimento que o professor tem em sala de aula. Como ele aprende a suportar certas coisas e outras não? Ele não nasceu sabendo o que é indisciplina escolar. De onde vem esse valor?

Encontrar essa resposta ajudará a saber porque os professores nunca estão errados.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Depoimento de uma vítima de bully.

Muito bem, hoje vou me aproveitar da linguagem de blog. Se agente perceber, a maioria dos blog’s falam em primeira pessoa e relata fatos da vida pessoal.
Vamos lá...

Hoje fui dar uma palestra sobre bully em um congresso. Resolvi iniciar a palestra com um relato pessoal.

Eu estava no primeiro ano do segundo grau técnico em informática em São Paulo. Eu tinha 15 ou 16 anos, e tinha uns 20 cm a menos que hoje em dia; mas o meu nariz já tinha o tamanho que ele tem hoje em dia; então proporcionalmente meu nariz era imenso... realmente grande devo admitir... os meus amigos me chamavam de narigão, ladrão de ar... essas coisas, mas eles eram meus amigos, eu os conhecia e tinha liberdade de brincar com eles também.
Porém, um dia, um garoto que não era meu amigo, quer dizer, eu o conhecia de vista nos falávamos nas raras vezes que fazíamos trabalhos juntos. Ele começou a me chamar de narigudo, ladrão de ar... as mesmas coisas que meus amigos chamavam, mas ele não era meu amigo, e aquilo foi me chateando... chateando... mas a educação religiosa ensina que se deve dar a outra face, então eu tentava relevar, tentava esquecer... eu falava que não gostava, pedia para ele parar, mas acho que ele percebia que aquilo me incomodava, que eu ficava irritado, e talvez por eu não ter um comportamento adequado de resposta não contava aos pais, aos professores, diretores... e quando estamos adolescentes queremos ser adultos o mais rápido possível e tentamos resolver os problemas sozinhos... depois de uns 4 ou 5 meses disso, teve um dia...
Naquela época os papeis de impressora eram os papeis contínuos, que vem com uns furinhos do lado para tirar, você tem que destacar uma folha da outra; enfim, o garoto usou umas três folhas para fazer uma caricatura minha; ele desenhou uma testa pequena, um nariz que percorria as três folhas e voltava para uma boca pequena, olhos pequenos, uma orelha que parecia o numero 3 desenhado. Ele entregou na minha carteira e saiu dando gargalhadas...

Aquilo me irritou de uma forma absurdamente profunda... o sangue ferveu, a cabeça tonteou, a visão pretejou, as mãos suavam, as pernas bambearam; eu me levantei... cuspi o chiclete que eu tava mascando no rosto do garoto, ele tentou levantar, eu dei uma pesada no peito dele e ele caiu na carteira com cara de assustado... e eu bati, bati, bati mais, bati muito nele.

Isso tudo aconteceu durante a aula, e o professor não percebeu, o garoto não deu queixa, não tive repreensão da parte do colégio nem dos pais do garoto.
Obviamente essa não foi a única vez que fui vitima de bully, na infância meu apelido era etíope (porque eu era muito magro) depois fui chamado de budum (eu tinha um cheiro esquisito no sovaco), a escola tinha ensinamento cristão, e as vezes ia um pastor dar umas palestras pra turma, na volta pra sala de aula os garotos brincavam de exorcismo comigo e me batiam pro espírito sair... eu podia ficar dando exemplos e exemplos, foram muitos...

Isso tudo teve repercussão na minha vida adulta. Fiquei inseguro, eu passei a acreditar que ou eu estava fedendo ou estava com mal hálito. Sempre achei meu nariz muito grande (acho que até hoje isso me incomoda), não conseguia falar com as pessoas porque achava que estava sempre errado, e quando eu pensava que estava tudo bem vinha o pensamento que eu estava com os dentes sujos; eu perdia oportunidades de trabalho, de estagio, me recusava a sair com os amigos porque me sentia deslocado, preferia ficar em casa lendo, vendo T.V. e principalmente me achando uma porcaria de ser humano.
Não posso afirmar que isso tudo foi por causa do bully sofrido na infância, mas por mais que eu tente, não consigo me lembrar de outras situações que diziam o quão errado eu era...

Enfim, eu comecei a fazer a palestra relatando isso tudo, e mexeu comigo, me perdi na apresentação, esqueci pontos importantes... espero que as pessoas tenham entendido, mas parece que não entenderam... fica aqui minhas desculpas. Se erve de consolo foi um ótimo dia para exorcizar meus pesadelos.
Até.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Aluno vítima de bullying é obrigado a fazer tatuagem.

Aos que não tiveram acesso a essa notícia, ela não saiu no Brasil.

Você pode ver o vídeo (em inglês) no site:
http://www.kens5.com/news/national/NH-bullies-tattoo-backside-of-special-needs-student-94882854.html
E outra reportagem sobre o assunto no site: http://policelink.monster.com/news/articles/140255-police-bullies-forcibly-tattoo-young-special-needs-student

A seguir uma tradução da matéria:
Quatro pessoas foram acusadas de obrigar um estudante de 14 anos de idade, com necessidades especiais, a tatuar duas palavras obscenas em sua parte traseira, em 10 de maio. O menino, cujo nome não foi divulgado, disse a polícia que os quatro agressores disseram que ele se ele tentasse entrar na High School em Concord não seria aceito sem a tatuagem, e caso ele a fizesse eles deixariam de pegar no seu pé. Segundo a polícia, o estudante foi escolhido por ser intelectualmente desafiado. O promotor Scott Murray disse que “você se coloca no lugar do garoto e seu coração fica com ele”. “É horrível que você tenha que sujeitar seu corpo com marcas para a vida toda, apenas para ser aceito pelo seus pares”. VanNest Blake, 18, é acusado de assalto, pondo em perigo o bem-estar de um menor, e fazer a tatuagem sem licença, atentado ao pudor e ameaça criminosa. Donald Wyman, 20 anos, é acusado de responsabilidade criminal pela conduta do outro e conspiração para pôr em perigo o bem-estar de um menor. Dois outros - Ryan Fisk, 19 e Travis Johnston, 18, - também são acusados. Johnson, disse à TV WMUR, que só permitiu usarem sua casa, ele não nunca desejou o que aconteceu. "Antes que eu tivesse problemas, me arrependi". A família do menino agredido disse que pretendia falar sobre o crescente problema de bullying da escola nos próximos dias. "Este é um momento muito emocionante para nossa família, pois estamos ainda tentando absorver o que foi feito para o nosso filho", disse a família através de um advogado. O menino disse à polícia que, apesar de seus protestos VanNest disse que iria fazer a tatuagem ele gosta-se ou não. O menino disse que ele acabou concordando porque VanNest disse que ele deixaria de ser apanhada na escola. O menino disse à polícia que quando chegou na casa para fazer a tatuagem, ele disse novamente que não queria uma, mas VanNest o ameaçou. Wyman desenhou a tatuagem no menino, e Fisk e VanNest fizeram a tatuagem, disseram os procuradores. No dia seguinte, o menino disse que os estudantes da escola foram passando ao redor as imagens da tatuagem. Um professor ouviu uma conversa sobre o assunto e chamou a polícia. Em New Hampshire a lei proíbe tatuagem em alguém com menos de 18 anos. Os tatuadores também têm que ser licenciados.